Não é preciso uma grande reflexão para ver como tudo no mundo está diferente do que era não faz muito tempo. Basta uma rápida olhada na lista das maiores empresas do mundo e ver nomes que sequer existiam há pouco mais de dez anos.

Neste cenário, não são poucas as empresas tradicionais que abraçam para si o desafio de emular o formato de trabalho que levou companhias como Uber, Airbnb e Facebook ao topo dos rankings da maiores (e mais poderosas do mundo).

Por trás dessas iniciativas, está a ilusão de que basta trabalhar como uma startup para ter os mesmos resultados que uma empresa deste tipo. Na prática, porém, não é bem assim!

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Como inovar de verdade?

O que conta quando o assunto é inovação é o design organizacional. Este é um dos pilares da chamada Inovação Radical, conjunto de preceitos compilados por Pedro Waengertner, CEO da ACE, no livro “A Estratégia da Inovação Radical”.

O design organizacional, mais do que o aspecto físico é a forma como as empresas se organizam de fato, ou seja, tudo o que diz respeito à essência do negócio. Segundo Pedro:

 “EM VEZ DE ESTRUTURAS RÍGIDAS, FORTE HIERARQUIA E POUCO QUESTIONAMENTO ‘DE BAIXO PARA CIMA’, AS EMPRESAS DE PONTA TRABALHAM COMO PEQUENAS STARTUPS, CONECTADAS ENTRE SI PELA LIDERANÇA E A CULTURA DA COMPANHIA”. 

Adaptar a realidade de uma grande empresa para o que ela trabalhe como uma startup, é um passo importantíssimo em suas estruturas menores e menos hierarquizadas, e é parte fundamental no trabalho de construção de respostas mais rápidas e eficientes às necessidades apresentadas pelo mercado.

O que são os squads?

A organização por squads prevê o desenho de estruturas focadas em projetos específicos. Assim como um esquadrão do exército é composto por profissionais diversos, somando as competências necessárias para vencer uma batalha específica, um esquadrão corporativo também é formado por pessoas com experiências e focos diferentes, que, juntas somam as funções necessárias para enfrentar desafios específicos do negócio.

Como cada um desses squads foca em uma determinada missão (um problema específico, como o desenvolvimento de uma nova feature ou a criação de um novo sistema para atendimento aos clientes, por exemplo), o envolvimento com o projeto e a noção do que é necessário para que ele avance até o final é maior, o que permite o desenvolvimento de forma muito mais ágil.

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Métodos Ágeis

A organização de um time por squads pressupõem a adoção também das chamadas metodologias ágeis.

Essas metodologias, permitem que as equipes destacadas para trabalhar em squads consigam fazer com que seus projetos avancem de forma mais rápida e eficiente, e se aproximem do modelo de trabalho das startups.

O que são métodos ágeis?
De maneira muito simplificada, Agile é uma forma diferente de enfrentar problemas ou criar soluções de negócios, integrando profissionais com competências multidisciplinares em pequenas equipes para trabalhar por meio de ciclos curtos de desenvolvimento e aprendizado, baseados sempre na visão e feedback do cliente. A terminologia nasceu com o lançamento do Agile Manifesto, escrito em 2001, por programadores que buscavam formas mais eficientes de tocar seus projetos.

Fazer com que um squad adote os métodos tradicionais de desenvolvimento de negócios da empresa é uma grande contradição. Na prática isso acaba gerando apenas frustração e impedindo a obtenção dos resultados esperados, uma vez que o time não consegue atender às demandas na velocidade necessária.

As origens: Spotify Model

É praticamente impossível falar sobre organização em squads sem citar o caso do Spotify. A startup sueca de streaming de música foi uma das primeiras companhias a seguir o modelo e se tornou referência neste método de trabalho. Nascida em 2009, o Spotify logo se tornou um grande sucesso e passou a lidar com as dores do crescimento.

O maior desafio era que, com a necessidade de vários ajustes em um produto e um time crescente, a comunicação se perdia entre as diversas áreas e os resultados não saiam com a velocidade necessária.

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Em 2012, o time de engenharia do Spotify se lançou o desafio: manter o crescimento, mas sem perder a agilidade que caracterizava a empresa.

A resposta para este desafio foi criar pequenas “startups” internas, cada uma dedicada a um projeto específico e, por consequência, cada uma com a agilidade e a autonomia necessária para testar as soluções possíveis e avançar no desenvolvimento de novas funcionalidades para a empresa.

Como começar a trabalhar como uma startup?

Antes de querer emular exatamente o que foi feito no Spotify, é necessário entender que nem mesmo a startup sueca começou do dia para a noite a aplicar este modelo de trabalho.

O caminho para a adoção deste modelo no dia a dia de uma grande empresa passa por:

1. Adoção de métodos ágeis

Conhecer e aplicar no negócio metodologias como o Kanban e o Scrum são um passo importante para que o time veja a possibilidade de produzir e entregar de forma diferente do convencional, abandonando o tradicional modelo de cascata e focando em entregas menores e mais rápidas.

2. Comece pequeno

A escolha do primeiro desafio a ser trabalhado por um squad pode fazer muita diferença na adoção do modelo de forma mais ampla no futuro. Em um primeiro momento, é interessante escolher um desafio de menor escala e, provando esta primeira pequena vitória, partir para desafios e problemas maiores.

3. Apoio da direção

É provável que a adoção de um novo modelo de trabalho enfrente muita resistência do time e do comando da empresa. Por isso é fundamental que haja um apoiador com trânsito livre na alta direção da companhia, que saiba explicar porque esse novo modelo de trabalho é tão importante para o futuro da organização.

 

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Assista ao webinar com o Pedro Waengertner, em que ele dá mais detalhes sobre como as empresas podem trabalhar com squads de uma forma efetiva.

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