Beth Galetti, VP sênior de RH da Amazon, tem uma imensa responsabilidade nas costas. O alcance da empresa no mundo é tão grande que seu staff de colaboradores – 647 mil pessoas – é mais numeroso do que países como a Islândia ou o estado brasileiro de Roraima.

A história da empresa mostra uma evolução assustadora desse número, tendo começado com 11 colaboradores em 1995, entrado nos anos 2000 com 9.000, expandindo para 33.700 em 2010 e, a partir daí, iniciar uma escalada monumental após a chegada de Galetti, em 2013, quando o staff ainda somava 117.300 pessoas.

Segundo a Fast Company, uma média de 337 colaboradores é contratada por dia pela Amazon. Esse cenário tem várias implicações. Um deles é que a empresa, referência de compras no mundo inteiro e que expande cada vez mais seus setores de atuação, acaba sendo muito desejada por quem está procurando emprego.

Ao mesmo tempo, uma rotina intensa de operações e procedimentos também gera relatos de estresse e insatisfação da equipe, principalmente de quem atua na área mais operacional, com salários menores. Tudo isso está dentro das atribuições do imenso departamento comandado por Beth Galetti.

A Fast Company publicou um extenso perfil da VP sênior de RH da Amazon em sua edição de maio, incluindo uma entrevista com a executiva. Nós aprendemos 6 lições para com ela.

1 – LEVAR A SÉRIO OS PRINCÍPIOS DA EMPRESA

A Amazon tem 14 princípios de liderança, que vão desde “obsessão pelos clientes”, até “entregue resultados”, passando por “invente e simplifique”, “aprenda e seja curioso” “pense grande” e “mergulhe fundo”, entre outros. Ela admite não saber todos de cabeça, mas isso está longe de significar desconhecimento dela sobre os valores da Amazon.

Segundo Harry McCracken, o repórter da Fast Company que acompanhou Galetti, ela “carrega o dogma da Amazon no coração“, deixando isso bem claro quando chama a atenção para eles em vários momentos durante uma caminhada que ambos fizeram pela sede da empresa em Seattle. Mais do que isso, ela mostra que entendeu muito bem o propósito da empresa, como indicaremos em seguida.

2 – USAR A TECNOLOGIA A SEU FAVOR

“Pense grande” e “mergulhe fundo” podem parecer lemas vagos. Galetti, no entanto, levou a sério. E uma de suas revoluções na Amazon foi trazer a tecnologia para dentro do seu departamento, contando com seu background de engenharia de software. Ela, com 16 anos de experiência na FedEX, nunca tinha trabalhado com RH antes da Amazon.

Hoje com 46 anos, ela entende que é a tecnologia que possibilita uma empresa desse tamanho a cumprir seus valores. Por isso, ela trouxe para dentro do departamento os desenvolvedores de software de RH, chefiando a equipe que cria os sistemas de gestão de colaboradores.

3 – OUVIR OS COLABORADORES

Com essa nova equipe trabalhando ao seu lado, ela comandou a criação de software para poder ouvir de forma mais eficiente o feedback de seus colaboradores. O sistema Forte, por exemplo, é um avaliador de performance com a premissa de ressaltar a força dos colaboradores, e não a “ausência de fraqueza”, visando sempre a autoestima da equipe.

Já o programa Connections faz uma pergunta diferente todos os dias a cada um dos funcionários, pela manhã, relacionada a seu trabalho na Amazon. E foi com esse mesmo sistema que ela rapidamente descobriu que uma grande parcela dos colaboradores tinha problemas com um novo parceiro, terceirizado. “Foi uma maneira de checar se nossas suposições eram verdadeiras e ver o que a linha de frente estava experienciando”, diz ela.

4 – O TREINAMENTO DOS COLABORADORES É PRIORIDADE

O programa de treinamento Career Choice, da Amazon, foi instituído pouco antes da entrada de Beth Galetti, mas ela o cita como prioridade. Cerca de 16 mil funcionários já se aproveitaram desses ensinamentos em salas de aula montadas em centros da empresa ou em cursos online.

A Amazon paga 95% dos custos desses cursos técnicos e vocacionais em áreas como saúde e transportes, mesmo sob o risco de perder os colaboradores para outras empresas.

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5 – A SAÚDE DOS COLABORADORES TAMBÉM

Galetti comandou um projeto que resultou numa ONG, a Haven, estabelecida em parceria entre Amazon, JPMorgan Chase e Berkshire Hathaway. A organização tem a meta de propor soluções para que as empresas ofereçam plano de saúde melhor a custos menores – um problema que atinge fortemente os Estados Unidos, onde a questão da saúde é alvo de debates acirrados no país.

O CEO da ONG, chamada Haven, Atul Gawande, só tem elogios a Beth Galetti. Para ele, a Amazon e sua chefe de RH entendem a importância de criar uma organização independente direcionada apenas a melhorar a qualidade da saúde de seus colaboradores, sem qualquer preocupação com lucro.

6 – SEJA HUMILDE

Mesmo com seis anos de empresa, ela não se considera especialista nem em RH e nem em Amazon. E tem como item favorito naquela lista de 14 princípios aquele que diz “ganhe confiança [da equipe]”. “Líderes fazem autocríticas verbais, mesmo quando isso pode ser incômodo ou constrangedor“, diz o principio, lembrando a Galetti sobre a necessidade de manter a humildade em primeiro lugar.

 


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