Flavia Gamonar: pedir demissão para empreender

23 out Pedi demissão para empreender: e tudo que aprendi nesse processo

* por Flavia Gamonar, especial para o Blog da ACE

Eu ainda era uma adolescente quando meu pai presenteou a mim e meu irmão com um computador. Era um 286 e, naquela época, nossa diversão era jogar Pacman e nada muito além disso.

As brigas eram frequentes e até competíamos sobre quem acordaria mais cedo para ir logo ao computador, sem sequer ter tomado café da manhã. O vício era enorme e precisamos ouvir broncas de nossos pais diversas vezes para que deixássemos a tela de lado um pouco.

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Alguns anos depois meu pai nos deu um computador melhor, que foi comprado parcelado em várias vezes, em uma época que a conexão de internet era discada. E foi ali que começamos a descobrir tanta coisa nova, navegando escondido, nos horários em que não deveríamos nos conectar, pelos sites do UOL, chats, MIRCs e ICQs da vida, tomando por completo a linha telefônica aos finais de semana.

Meu primeiro empreendimento aos 17 anos: sem querer

Aos dezessete anos eu empreendi pela primeira vez, isso foi em 2001. Naquela época eu estudava língua espanhola, motivada por um livro antigo que ganhei de presente de meu avô. Eu gostava tanto do idioma que queria compartilhar aquilo com mais pessoas.

Mas como eu ainda sabia pouco e não tinha nenhum material além, pedi para minha mãe me matricular em um curso baratinho, era o que dava para pagar. Acho que logo cedo eu mostrava minha paixão por ensinar, porque pouco tempo depois de começar a estudar decidi que ensinaria mais pessoas pela internet. E hoje sigo sendo professora.

Eu não sabia nada sobre programação, mas mergulhei no universo dos construtores de sites estilo HPG para criar meu primeiro site. O nome dele era “Cursos Gratuitos” e era a coisa mais horrível do mundo, com fundo rosa e letras azuis – mas era o que eu havia conseguido criar.

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Escrevia aulas bem simples em arquivo .doc, baseadas no que havia aprendido na escola e as enviava para quem dissesse ter interesse. E pasmem: surgiram mais e mais pessoas interessadas. Aos poucos fui evoluindo o site, melhorando seu visual, agregando mais aulas e até trazendo outros temas, cursos bem simples e curtos, todos gratuitos.  Mas a falta de conteúdo me incomodava.

Em uma época de Cadê e Achei, quase não encontrava materiais para aprender língua espanhola e sozinha eu já não dava conta de oferecer quantidade de aulas (aliás, já não conseguia mais enviar uma a uma para as pessoas, mas desconhecia ferramentas que enviassem de uma vez a todos).

Certo dia, encontrei um site recheado de materiais e logo fui me apropriando de aulas e áudios, copiando vários para meu site. Iniciante em tudo aquilo, ainda puxava tráfego do site proprietário dos materiais, pois não sabia hospedar no meu próprio servidor. Aos dezessete anos em um mundo de 2001, acredite, as coisas eram bem diferentes e eu não era como os adolescentes de hoje, tão antenados e conectados.

É claro que o dono daquele site descobriu que eu copiei materiais dele. E me escreveu dizendo que me processaria por conta daquilo. Eu respondi que era uma jovem de 17 anos que não fez aquilo por mal, eu só queria ensinar mais pessoas e não ganhava dinheiro com aquilo.

A verdade é que obviamente eu estava errada, mas ainda estava aprendendo como a internet funcionava e morrendo de medo do tal processo. Lembro até que chorei para minha mãe, preocupada com o que poderia acontecer.

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Decidi fazer uma proposta ao dono daquele site. Se ele gostava do assunto e eu também e no Brasil quase não existiam páginas dedicadas a ensinar espanhol para brasileiros, por que não nos unirmos e, juntos, criarmos um portal dedicado ao ensino de língua espanhola? Ele topou!

Acabamos nos conhecendo mais, pouco a pouco. Tudo sempre à distância, afinal ele morava no interior da Bahia e eu no interior de São Paulo. Naquela época não tínhamos mais que uma ou duas fotos nossas, não existia smartphone, lutávamos para conectar pela conexão discada (logo em seguida veio a banda larga e o Google).

Juntos, trabalhamos dedicados à distância durante um mês. Ele programava, eu fazia o visual e criava as aulas e então lançamos o AprendaEspanhol.com, meu primeiro case de empreendedorismo. Logo começou a monetizar, com a venda de livros de idiomas com link de afiliados do Submarino, parceria com editoras e até cursos pagos que fomos criando. Eu até ingressei na faculdade de Letras Espanhol para me dedicar mais ao assunto.

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O Aprenda Espanhol conquistou 100 mil alunos em poucos anos de existência e, em 2005, ganhamos o prêmio Ibest como top 3 educação – algo incrível, de fato. O que não contei é que aquele cara do site veio me conhecer oito meses depois e começamos a namorar.

Durante muito tempo foi à distância, mais de 2 mil quilômetros separando a gente. Hoje ele é meu marido, mas minha história de empreendedorismo não parou por aí. Era apenas o começo, na verdade, da veia empreendedora.

Odiando meus primeiros empregos

Certo dia uma tragédia aconteceu. Houve uma migração no servidor que hospedava nosso site de espanhol e um problema na plataforma Moodle nos impediu de recuperar tudo que havíamos criado. Ninguém nos ajudou e não sabíamos como fazer.

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O plano B seria recuperar o backup físico e recomeçar, mas naquela mesma semana uma estante de livros enorme caiu em cima de mim e do computador, me ferindo e causando um dano físico ao HD. Literalmente, perdemos tudo.

Ali morria o AprendaEspanhol e não houve vontade de recomeçar tudo do zero. Já começávamos a sofrer vendo sites mais modernos surgirem e não conseguíamos fazer tão bonito como eles. O serviço alemão gratuito de newsletter que usávamos, que tanto nos ajudava a vender, também havia saído do ar e contratar outro serviço era absurdamente caro. Parece que o fim realmente havia chegado.

Então, fui procurar emprego. Minha primeira experiência foi em uma loja de CDs cujo dono era tão enrolado, que ela nunca chegou a abrir a portas. Durante semanas eu cadastrei CDs no computador, ganhava uma merreca, odiava estar ali, comia qualquer coisa e não via a hora de voltar para casa.

Eu sonhava ao menos com o momento em que poderia atender pessoas, mas aquele dia nunca chegou e eu fiquei pouco tempo por ali.

Depois disso trabalhei em uma corretora de seguros tentando aprender uma área completamente nova para mim. Dei aulas de espanhol aqui e ali, fui assistente administrativo em uma gráfica repleta de baratas, ratos, funcionários machistas e um dono que nos causava medo.

Eu ganhava muito mal em todos esses trabalhos e me perguntava se seria daquele jeito para sempre. A faculdade às vezes era trancada, porque eu não tinha dinheiro para pagar nem mesmo o mínimo de créditos e até um fusquinha que meu pai me deu com dificuldades, logo foi furtado de frente de casa.

Foi realmente uma época difícil e eu tinha certeza de que minha vida seria daquele jeito por muito tempo, não conseguia ver luz no fim do túnel.

a luz no fim do tunel

Finalmente, um emprego melhor

Em um jantar de professores da faculdade que meu marido dava aulas (ele já estava morando em Bauru na época) conheci uma pessoa de uma empresa e, durante a conversa, ele me pediu para enviar um currículo.

Eu havia acabado de fazer um curso em São Paulo durante duas semanas. O combinado naquele curso era atuar como tradutora, visto que o professor era espanhol e os alunos brasileiros. Em troca, eles pagariam meu hotel para eu fazer o curso de graça. E eu fiz. Poderia não ter aceitado trabalhar de graça durante duas semanas atuando como tradutora, mas aqui estava uma grande lição. Nem tudo na vida é dinheiro.Eu estava em começo de carreira, precisando aprender e melhorar meu currículo e aceitei. E várias outras vezes negociei fazer cursos de graça, porque não podia pagar, e oferecia um serviço meu em troca, muitas vezes o dono ou professor do curso nem quis cobrar.

Foi exatamente esse diferencial, de ter esse curso, que me deu uma vaga como professora em uma empresa de TI. O salário era muito maior do que havia ganhado até então e finalmente as coisas pareciam começar a melhorar.

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Eu havia aceitado ser professora de português por conta da faculdade de Letras que cursava, mas confesso que odiava. Ainda faltava ao menos um ano e meio para concluir e eu já sabia que não daria certo naquela área. Eu gostava mesmo era de tecnologia, mas ao menos agora eu trabalhava em uma empresa que era dedicada a isso.

Logo, passei a atrair demandas de outras áreas. Eu pedia para reescrever os materiais de comunicação dos produtos de software da empresa e finalmente, um ano depois, consegui mudar para uma equipe de Pesquisa e Desenvolvimento, começando como analista de produtos. Agora eu estava mais perto da tecnologia, mas precisaria estudar muito dali para frente. Fiz muitos cursos, li muitos livros e tive um chefe que me ensinou muito.

Naquela empresa fui promovida mais duas vezes e por lá aprendi demais atuando como gerente de projetos, de produtos e depois inaugurando uma área de marketing nova a convite do CEO. Mas uma reviravolta mudou demais o clima da empresa e eu fui me sentindo frustrada de continuar ali. O ânimo havia ido embora e eu cheguei a comentar para o meu chefe que não me identificava mais.

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Então, depois de quatro anos fui demitida e vi meu mundo cair. Estava cansada, mas demissões sempre mexem com a gente.

Durante seis meses eu fiquei sem emprego e já não sabia mais o que queria da vida. Não desejava mais voltar à vida de escritórios, mas não conseguia encontrar algo que me permitisse empreender.

Comecei a fazer doces para vender e tudo deu errado. Nem sempre vendia o que fazia e muitas vezes acabava comendo o que restava (hehe). Finalmente uma nova vaga de emprego apareceu e eu voltei a trabalhar como gerente de marketing, novamente em uma empresa de TI.

Mas naquele novo desafio eu havia aprendido uma lição: eu poderia ser demitida de novo a qualquer momento e precisaria ter mais de um plano na vida para não viver de novo o que havia vivido ao ficar tanto tempo sem emprego.

Como comecei a planejar um plano B

Eu era muito dedicada àquele novo emprego e realmente me empenhava em tentar o melhor. Entendi que precisava me manter atualizada, ler livros, ir a eventos e foi assim que fiz. Voltei de um evento de marketing em Florianópolis muito empolgada e apliquei muito do que aprendi.

Foi nessa época, em agosto de 2015, que comecei a escrever artigos no Linkedin, despretensiosamente. Mas os resultados começaram a me animar: artigos com milhões de visualizações!

Assim, muitos convites começaram a surgir. Palestras e aulas em universidades (eu já havia feito mestrado). E percebi que tinha ali uma espécie de vitrine sobre meu trabalho, sobre tudo que havia estudado, lido, aprendido.

De repente, chegou ao ponto que eu já não conseguia mais conciliar aquela dupla jornada de funcionária por 40h semanas em uma empresa e empreendedora nas horas restantes. Eu queria muito fazer outras coisas da vida, viver meu sonho, não conseguia mais me ver presa a uma só empresa. O espírito empreendedor me chamava de novo e foi com medo, mas já com algumas demandas, que decidi pedir demissão e cumprir meu aviso prévio.

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No meu último dia o meu chefe, na época, me pediu para ser meu cliente. Dessa forma, eu iria 3x por semana na empresa durante 6h por dia, garantiria um contrato fixo mensal com eles e teria outros dois dias, com flexibilidade, para dar minhas aulas e viajar trabalhando no meu projeto empreendedor.

Foi então que abri meu primeiro CNPJ, como MEI. E logo comecei a ter clientes. A rotina de 3x naquela empresa ainda me limitava, então esperei o prazo do contrato acabar e preferi me dedicar ao meu projeto empreendedor 100%.

A primeira ação foi me focar em cursos de marketing e junto com o Douglas Gomides, que conheci pelo Linkedin, começamos a abrir turmas de cursos em capitais do Brasil. A primeira foi em Belo Horizonte e lutamos muito para vender pouco mais de vinte vagas.

Aos poucos, o “O que move o marketing” foi dando certo e até o momento já passamos por várias capitais e ministramos cursos para mais de mil alunos, podendo atender colaboradores de grandes empresas nessas aulas.

No meio de tudo isso veio o ingresso no doutorado em Mídia e Tecnologia, algo que eu queria muito e me dediquei. Isso me abriu portas para dar aulas em mais universidades.

Continuei escrevendo no Linkedin e mais oportunidades surgiram. Acabei palestrando nos eventos mais incríveis relacionados a marketing e inovação pelo Brasil. Realizei meu sonho de viajar mais, de conhecer pessoas e de fazer o que amava.

Logo, precisei deixar de ser MEI e virei ME. E obviamente as dores do crescimento começaram a aparecer, como a necessidade de ter um contador e alguém me ajudando com e-mails.

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Experiências com startups

No início de 2016 conheci um cara que estava disposto a abrir junto comigo algo novo. Queríamos criar uma plataforma de marketing que unisse comportamentos do consumidor no mundo off-line com o mundo on-line, para impactá-lo com publicidade segmentada e contextualizada. Íamos usar inteligência e beacons para isso.

Ele investiria um valor legal, mas eu logo amarelei e não me senti exatamente pronta para ter um sócio que sequer conhecia bem e ter nas costas a responsabilidade de um investimento. Declinei.

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Como o projeto já tinha nome e site, conversei com ele e pude seguir sozinha, mudando o foco. Passei a produzir conteúdo para blogs de empresas em pacotes mensais, porque ainda não conseguia viver apenas dos cursos que dava e os contratos que tinha podiam ser encerrados a qualquer momento. Eu não tinha muito diferencial (apesar de ter construído um nome em produção de conteúdo) e por ser uma produção manual, não conseguia escalar.

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Depois dessa experiência que não deu muito certo, eu decidi me unir a duas colegas para abrirmos uma startup focada em produção de conteúdo para C-level, porque havíamos identificado que existiam gestores e CEOs que desejavam conteúdos para seus blogs e perfis pessoais.

Mas logo o dia a dia mostrou que era um pouco arriscado escrever por pessoas, porque dependendo de como o texto fosse feito, a imagem dela não corresponderia na vida real. Além disso, novamente estávamos presas a algo nada escalável e isso me incomodava. Decidimos encerrar o negócio.

No meio do caminho, surgiu um convite para ser diretora de marketing de uma insurtech e eu aceitei. Significava voltar a me dedicar a uma só empresa e pausar meu projeto empreendedor, mas eu queria tentar e viver a experiência. Envolvia viagens frequentes, afinal, a sede da empresa era na capital.

Pouco tempo depois eu desisti, porque não daria certo viajar tanto e prejudicar minha qualidade de vida, ainda que significasse perder um belo salário. Entendi também que me afastaria do meu propósito empreendedor. Mas por lá aprendi muito e pude ajudar a criar coisas bem bacanas.

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Então, entendi que eu precisava focar no “O que move o marketing” se quisesse que ele desse certo e, de fato, foi o que fiz. Hoje conseguimos conquistar uma imagem de credibilidade e qualidade para os cursos que levamos pelo Brasil, mas estamos apenas no começo. Para não depender apenas de mim e do Douglas dando aulas, passamos a apostar em professores convidados e logo anunciaremos uma novidade muito bacana que ampliará a marca e nosso alcance. Todas as turmas que fizemos desde então, tiveram vagas esgotadas.

a decisão de focar em um caminhoTudo ao mesmo tempo: o ano que eu decidi que seria intenso

Eu decidi que 2017 seria o ano em que eu realizaria muita coisa. E de fato foi o que aconteceu. Palestrei em eventos que nunca imaginei, lecionei em cursos de pós-graduação de seis instituições de ensino pelo Brasil, realizei cursos in company em empresas superlegais e continuei escrevendo artigos.

No final de 2016 fui escolhida para a lista Linkedin Top Voices e este ano cheguei aos 540 mil seguidores, 440 mil conquistados apenas em 2017. São pessoas que gostam de ler os artigos que escrevo sobre inovação, empreendedorismo e carreira. Ganhei o prêmio Digitalks na categoria content marketing com a ajuda de meus leitores, que reconheceram meus artigos como relevantes. Também fiz ações muito legais com grandes marcas.

Acabei de escrever um livro com mais dois autores (Glauter Jannuzzi, da Microsoft e Juliana Munaro, apresentadora do programa de TV PEGN.TEC), chamado “Disruptalks: carreira, empreendedorismo e inovação em uma época de mudanças rápidas”, ele já está em pré-venda e em novembro começamos eventos de lançamento pelo Brasil. Ainda este ano palestrei no maior evento de marketing e vendas da América Latina, o RD Summit, e farei um TED em dezembro, na cidade de Uberaba. Tudo isso conciliando com os cursos do OQMOM e meu doutorado.

Recentemente me tornei sócia de uma startup de comunicação que está em fase de MVP e logo será lançada. O projeto nasce da união da minha marca com mais duas empresas, a Malagueta Criativa e a Dona Comunicação e logo contaremos do que se trata esse projeto envolvendo tecnologia e comunicação. E nos conhecemos pelo Linkedin!

mudanças na vida empreendedoraExperiências e aprendizados na vida empreendedora

Como falei, eu me permiti experimentar e não ter medo de tentar. O importante é agir rápido, mudar os rumos assim que necessário. Ao menos eu saberei que tentei e adoro isso.

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Ser uma mulher empreendedora aos 32 anos traz desafios. Hoje eu tenho uma vida muito agitada e quase não paro em casa, mas em certo momento precisarei pausar um pouco para engravidar, por isso agora eu busco negócios que eu consiga escalar, que não dependam muito de mim ou sejam dependentes de minha presença o tempo todo.

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A minha história de empreendedorismo é dessas reais, pé no chão, sem grandes investimentos, indo “na raça”. Acho que o grande dilema do empreendedor que está começando é que nem sempre ele sabe se terá demandas no próximo mês e, se tudo vai dando certo, ele acaba pegando mais trabalhos do que dá conta e isso pode resultar em estresse.

Hoje busco equilibrar essa rotina e estou aprendendo a dizer mais não, para não me sobrecarregar. O importante é que mesmo trabalhando mais, me sinto mais perto do que eu sempre quis fazer. Odeio rotina e poder viajar e conhecer pessoas o tempo todo me deixa satisfeita. A grande lição que quero deixar com minha história é que ela por enquanto não tem um fim. Que bom! E além disso, dizer que é preciso tentar, ter menos medo, sair do lugar. Só assim conseguimos resultados diferentes.

dicas para quem quer empreenderDicas para quem quer empreender

Se você quer empreender eu posso lhe dar algumas dicas. Mas antes de tudo preciso descontruir alguns mitos.

O primeiro deles é que você não vai ganhar mais dinheiro trabalhando menos, aliás, talvez precise trabalhar mais para fazer acontecer e vai carregar nas costas o peso de fazer acontecer. Se você procrastinar, seu negócio patina junto. Mas certamente, dedicando-se ao que lhe faz feliz e que lhe parece ter um propósito real que vai além do mero lucro, você ficará satisfeito.

Não queira que tudo dê certo de primeira, o importante é começar, passo por passo, mas sem enrolar. Saber o que você não quer da vida já é um bom começo, mas uma dica pessoal é criar metas para si mesmo e buscar cumpri-las, senão a gente só empurra com a barriga. Enquanto eu não entendi o que queria da vida, nada deu certo.

Ao criar algo novo não comece pensando no lucro, mas em como você pode fazer a vida de outras pessoas melhor, ou mesmo, como pode ajudá-las a poupar tempo.

A vida empreendedora não se apega a cargos. Em um novo negócio fazemos de tudo um pouco para que as coisas possam dar certo.

Apoiar-se em parceiros em quem possa confiar, usar ferramentas de baixo custo e apostar em uma metodologia ágil de gestão de projetos também vão te ajudar muito.

E, finalizando, talvez a dica mais importante seja buscar perder o medo. Logo que sai do emprego, no qual trabalhava 40h por semana, me sentia estranha por não ter mais a mesma rotina e sentia muito medo, mas aos poucos fui entendendo que não precisava mais me encaixar em um molde. E me amparar em alguns planos rodando paralelamente me ajudava a me sentir mais segura, porque se eu perdesse um deles, tinha outro apoiando.

O que vale mesmo é tentar, senão, você passará a vida toda lamentando o fato de nunca ter arriscado 😉

*Flavia Gamonar é empreendedora, escritora, palestrante e uma das brasileiras mais influentes no LinkedIn

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