Qual a diferença entre a ACE Startups e um fundo de investimento VC?

Por Felipe C. Figueiredo - 16 Sep 2019, 12:35
Qual a diferença entre a ACE Startups e um fundo de investimento VC?

A ACE anunciou uma mudança estratégica de posicionamento para a sua área de investimento em startups. Com isso, deixou de ser aceleradora para se tornar uma empresa de investimentos com solução completa para o Early Stage/Seed Capital, e levar startups até a Série A mais rápido, mais preparadas e com mais equity na mão dos founders.

A notícia do planejamento de um fundo de investimento levou à confusão de alguns: então quer dizer que a ACE Startups se tornou um fundo VC? Ou continuam como um tipo de aceleradora? A resposta é negativa para ambas as colocações.


Circulou recentemente uma imagem sobre o ecossistema de investimento em startups (veja acima). Não por acaso, a ACE figura no quadrante de Pré-Seed e Seed (R$ 250k a R$ 5MM de investimento) quanto no de aceleradoras (R$ 150k-180k de aporte).

A seguir, entenda como funciona um fundo de investimento de venture capital e onde a ACE é diferente. 


>> Saiba mais: Como a ACE escolhe startups para investir


Como funciona um fundo de investimento VC (Venture Capital)


Um fundo de Venture Capital (Capital de Risco, em tradução livre) é um veículo de investimento dedicado ao fomento de negócios e empreendimentos de alto risco, alto retorno e potencial de crescimento e multiplicação de capital, como startups, por exemplo.

Como modelo de negócio, um VC usualmente capta dinheiro com um grupo de outros investidores, como corporações, family offices, bancos, wealth managers, fundos de pensão institucionais, private equities, ou os próprios administradores, entre outros, que são chamados de Limited Partners (LPs).

Os gestores do fundo (General Partners) são os profissionais responsáveis pela alocação do investimento, e se comprometem a dar um certo retorno (que pode variar de 25% a 35% de IRR – taxa de retorno interna anual) em um certo tempo (tipicamente 10 anos). Essa modalidade de investimento é de longo prazo e há liquidez muito baixa.

De acordo com a Harvard Business Review, mais de 80% de todo o capital investido por VC’s vai para o momento de crescimento acelerado de uma empresa, para transformar uma startup em uma companhia de fato.

Os gestores de fundos ganham dinheiro de duas maneiras: taxa de administração (aproximadamente 2% a.a. do montante total), e em uma co-participação (carry) em cima dos retornos sobre o valor investido (geralmente de 20% a 25% do lucro).

Entrando especificamente no mercado de startups, um fundo só ganha rentabilidade a partir de eventos de liquidez (exit, IPO ou uma venda secundária de ações de uma startup, por exemplo), e há exemplos de VC que só distribuem os retornos ao investidor apenas no seu vencimento.

Um fundo também geralmente tem uma tese de investimento, que leva em conta elementos como a indústria (fintech, healthtech, etc), o modelo de receita ou de negócios (B2C, SaaS) ou o estágio da startup (Seed, Series A, Series B, entre outros). Dentro dessa tese, ele contabiliza em quantas startups quer aportar para que tenha o retorno necessário para o todo.

Tradicionalmente, um bom fundo VC é o que é chamado de “smart money”, pois além de aportar capital, entra também com governança, conexões estratégicas, inteligência e outros benefícios que podem influenciar diretamente no sucesso de um negócio.

No Brasil, tanto o número de deals quanto o tamanho do aporte têm aumentado consideravelmente nos últimos anos. Em 2018, o valor total investido passou US$ 1,3 bilhão em 2018 (259 deals), ante US$ 859 milhões (113 deals) em 2017, de acordo com pesquisa da LAVCA.


>> Leia também: O panorama de investimentos em VC no Brasil


Como a ACE é diferente de um fundo VC

As diferenças entre a ACE e um fundo de Venture Capital começam na estrutura de capital: enquanto os fundos alocam recursos de outros players, a ACE investe majoritariamente o seu próprio dinheiro, sozinha ou em regime de co-investimento, nas startups que escolhe aportar. Por isso, a ACE é uma empresa de investimentos: empreendedores investindo em empreendedores.

Mais do que apenas a estrutura societária e de alocação de capital, existem algumas diferenças fundamentais também no modus operandi entre a ACE Startups e a maioria dos fundos de Venture Capital da América Latina. A ACE investe junto com fundos e oferta suas startups para fundos maiores.

Isso não quer dizer nem que os fundos sejam iguais nem que todos sigam essas premissas (e muito menos que um empreendedor não deva escolher captar dinheiro com um VC), mas sim que há algumas diferenças estratégicas.

A principal delas é em relação ao tipo de abordagem. Mesmo com uma premissa e uma atuação de smart money, muitos dos fundos tendem a ter uma abordagem hands off, ou seja, sem tanto esforço ativo para ajudar os empreendedores.

Com times enxutos, os fundos não acompanham startups em uma gestão mais próxima e com impacto mais palpável. As principais exceções à regra são as inspirações da ACE como Andreesen Horowitz (a16z) e First Round Capital, VCs americanos que possuem estruturas desenhadas e preparadas para colocar a mão na massa e impulsionarem as startups investidas.

Nesse sentido, a ACE aparece como hands on, ou seja, uma opção de investidor com perfil ativo para ajudar os empreendedores no dia a dia.

 

Essa presença maior aparece de algumas formas:

Acompanhamento estratégico: durante toda jornada a ACE acompanha uma startup de maneira próxima, em uma gestão data-driven e com recomendações, conexões e apoio em diversas esferas. Ajudamos também em toda a estratégia de fundraising.

Estruturação: ajudamos ativamente as startups em diversas áreas necessárias, desde a estruturação societária, cultura, governança e gestão até a criação ou evolução de suas áreas de marketing, vendas, operações, pessoas e sucesso do cliente.

Acesso a mercado: temos mais de 50 parceiros e clientes no ACE Cortex, unidade que é a consultoria de inovação para grandes corporações. A conexão que a startup precisa pode estar bem mais próxima, com acesso feito de maneira ativa, tanto via ACE quanto por meio de mentores e outras conexões.

Conteúdo e método: abrimos tudo que aprendemos e temos como método para validação, marketing, negócios, produto, pitch, fundraising, gestão, cultura e muito mais em uma plataforma exclusiva de conteúdo e metodologia – assim, tanto os founders podem aprender e ter outra perspectiva quanto treinarem suas equipes.

Mentores, Comunidade e Benefícios: A ACE conta com mais de 300 mentores, uma comunidade com 75 startups investidas ativas, o maior stack de parceiros do Brasil (que vai desde ferramentas como cloud e automação até serviços), office space em 5 capitais, e é o único player brasileiro que faz parte do Google Launchpad e também da Draper Venture Network, o que permite acesso a dinâmicas, workshops, conteúdo e conexões exclusivos.

 

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Por: Felipe C. Figueiredo

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